Criada
em 2000, pelo poeta Sérgio Vaz juntamente com Marcos Pezão. Inicialmente,
começaram numa fábrica abandonada, em Taboão da Serra, no município de São
Paulo. Sendo autorizado pelo proprietário para usar o espaço, como local de encontros
de eventos culturais, com objetivo de reunir personalidades das
periferias. Em 2001, idealizaram e
organizaram atividades mais poéticas e tempos depois, a Cooperifa foi
transferido para o bar do Zé Batidão, que fica no Jardim São Luiz, lugar que se
tornou conhecido e passou a ser um celeiro dos artistas periféricos. Além das
experiências literárias, o Bar do Zé Batidão tem no seu cardápio, a famosa
feijoada, o tradicional escondidinho e para acompanhar a cerveja bem gelada,
uma porção de pururuca. Toda semana, o evento reúne dezenas de pessoas, que se
acomodam para ouvir ou participar das sessões de poesias, literatura, música e
outras atividades. Quando começa o evento, há uma abertura quase sempre feita
por Sérgio Vaz. Um chamado para abrir os trabalhos, que serve tanto como
boas-vindas, quanto como um lembrete do significado sobre os princípios do
sarau. Exige-se somente duas regras: o limite da poesia, que não pode durar
muito tempo em respeito aos demais que querem se apresentar, e todas o público
precisa se manter em silêncio para escutar e aplaudir ao final. Quem quiser se
apresentar, primeiro coloca o nome na lista e espera ser chamado para usar o
microfone. Para os que vão assistir, “o silêncio é uma prece”, como se costuma
dizer ali. É assim que funciona o encontro literário. Os poetas recitam seus
versos no microfone aberto para autores autônomos ou conhecidos. Cada com seu
estilo. Alguns interpretam, outros fazem graça. Vários passam pela estética
do rap.
Além disso, o evento tem revelado grandes talentos. O projeto da Cooperifa, serviu de inspiração para outras comunidades. Atualmente, existem cerca de 60 saraus na cidade, frutos de iniciativas culturais populares, se juntando a outros movimentos. É a literatura transformando vidas, através da força da oralidade, com objetivo de levar arte e conhecimento cultural para a população periférica. Outra iniciativa, que o Sérgio Vaz e Marco Pezão fizeram, foi a criação do “Cinema na Laje”, que leva cinematografia de qualidade e de criticidade para instigar os espectadores a pensar sobre a estrutura da qual fazem parte. Também criaram a Mostra Cultural da Cooperifa, com a realização da primeira edição em 2007. Anualmente as edições, tem uma programação com várias atividades, entre espetáculos de dança e de música, orquestra sinfônica, debates, sessões de cinema e teatro realizados em escolas estaduais e municipais e em centros de educação e cultura na região. Tudo gratuito e aberto para gente de todas as idades. Segundo o poeta Sérgio Vaz, o sarau interfere na paisagem da periferia porque é uma forma de descentralizar a literatura e mostrar que ela pode ser uma coisa simples como é o samba e o rap. “Aqui na Cooperifa a poesia desce do pedestal e beija os pés da comunidade”. Para celebrar as iniciativas a cultura, foi instituído o “Prêmio Cooperifa” para homenagear as pessoas e entidades que, de forma direta ou indireta, ajudam a periferia a se transformar num lugar melhor para viver. Desta forma, o que começou de forma despretensiosa, acabou se tornando em um dos saraus mais famosos do país. “Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa!”
SARAU DA COOPERIFA
Bar do Zé Batidão
Todas as terças das
20h30 às 22h
Rua Bartolomeu dos
Santos, 797 – Jardim Guarujá
https://www.instagram.com/cooperifa.oficial/
https://web.facebook.com/Cooperifaoficial
O
poeta Sérgio Vaz criador da Cooperifa
Sérgio Vaz é poeta, escritor e ativista cultural, que tem em sua biografia, muitos anos de dedicação e atuação direta com a literatura periférica. Nascido em Ladainha, interior do estado de Minas Gerais, chegou com a família a Taboão da Serra, cidade na Grande São Paulo, quando tinha 7 anos. Seu sonho como todo moleque de periferia, queria ser jogador de futebol. Começou a ler influenciado pelo pai, que tinha o hábito da leitura. O pai percebeu o interesse do filho e tratou de comprar obras infantis. O livro "Dom Quixote", do espanhol Miguel de Cervantes, foi um dos primeiros lidos por Vaz. A partir daí, leitura e futebol passaram a ser a paixão do menino. Vaz cursou até o Ensino Médio e toda a sua formação escolar ocorreu na rede pública. Parte de seus estudos foi conciliada com o trabalho, iniciado aos treze anos em pequenos serviços no empório do pai. Começou a escrever mais ou menos com uns 16 anos. Quando o surgiu o movimento Hip Hop, Vaz sentiu a oportunidade de fazer sua apresentação poética, durante os shows de rap. A carreira de poeta teve início com a publicação de Subindo a ladeira mora a noite, publicado em parceria com a poetisa Adrianne Muciolo e lançado em 1992. Em 2001, Vaz contribuiu com dois poemas para uma edição especial da revista Caros Amigos, sob a organização do escritor Ferréz, Intitulada Caros Amigos/ Literatura marginal: a cultura da periferia. Em 2001, Vaz contribuiu com dois poemas para uma edição especial da revista Caros Amigos, sob a organização do escritor Ferréz, Intitulada Caros Amigos/ Literatura marginal: a cultura da periferia. Foi idealizador e fundador da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), entre outros projetos e atividades com envolvimento do seu nome. Por conta de seu trabalho, já recebeu vários prêmios e chegou a ser eleito pela revista Época (em 2009) uma das cem pessoas mais influentes do Brasil.
Livros publicados:
Subindo a ladeira mora a noite (Independente, 1988); A margem do vento
(Independente, 1991); A poesia dos deuses inferiores (Independente, 2005);
Colecionador de pedras (Global, 2007); Literatura, pão e poesia (Global, 2011).
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