Clique no link para assistir o vídeo da fabricação de cuia para chimarrão
O chimarrão ou mate é uma bebida característica da cultura do sul da América do Sul e tem origens das culturas indígenas caingangue, guarani, aimará e quíchua. É composto por uma cuia, uma bomba, erva-mate moída e água. Os primeiros povos que fizeram uso do mate são os índios guaranis, que habitavam as regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná. Também vale informar, que o primeiro homem branco a provar o mate, de acordo com o livro A História do Chimarrão, de Barbosa Lessa, foi o General Domingo Martínez de Irala, em 1554. Ele teria gostado da sensação de relaxamento causado pelas ervas e prestigiado a cultura difundindo o mate entre colonizadores na Argentina e Uruguai. A bebida quente com sabor amargo feita com ervas foi caindo no gosto dos fazendeiros gaúcho. A partir de adaptações na bomba (um canudo normalmente feito em prata lavrada com cerca de 25 centímetros de comprimento), porongo e hábitos, o chimarrão passou do status de simples bebida para uma tradição de grande valor cultural, refletido na união e confiança dos adeptos do mate. Por isso a importância de encontrar a cuia perfeita, o utensilio é fundamental para o preparo, gerando uma cerimônia única, que envolve paciência, técnica e bons minutos de saudosismo. O chimarrão chegou a ser proibido no sul do Brasil durante o século XVI, sendo considerado "erva do diabo" pelos padres jesuítas. A partir do século XVII, no entanto, os mesmos padres mudaram suas opiniões em relação à bebida e passaram a incentivar seu uso com o objetivo de afastar a população local do consumo de bebidas alcoólicas.
No Brasil, o chimarrão apesar de ser bastante consumido no Paraná e em Santa Catarina, é muito conhecido como um costume gaúcho do Rio Grande do Sul. O seu consumo diário, é tradicionalmente uma "bebida coletiva", é muito comum ver pessoas bebendo o mate em dupla ou em grupos maiores, principalmente quando se reúne a família ou quando chegam visitas na casa e logo recebem uma cuia de chimarrão. Além de ser um momento de descontração, a popular “roda de mate” é praticamente um ritual para muitos gaúchos, que começa com o preparador (geralmente o dono da casa), pois, além de preparar, ele é o primeiro a beber, em sinal de educação, já que o primeiro chimarrão é o mais amargo, que depois é passado para o primeiro à sua esquerda sempre com a mão direita (entregar a cuia com a mão esquerda significa falta de educação), e assim sucessivamente. Pode-se entrar na roda de chimarrão a qualquer momento, mas depois de estar nela, o correto é esperar até que chegue sua vez novamente e ninguém deve ser favorecido, passando o chimarrão fora da ordem. Após terminar o chimarrão, tem que devolver a cuia com a mão direita para quem está servindo. Também não costuma-se agradecer a cada chimarrão consumido, pois quando alguém pronuncia a palavra "obrigado" na roda de chimarrão, é sinal que está satisfeito e não beberá mais o mate naquela oportunidade. Importante não esquecer de tomar o chimarrão totalmente, fazendo a bomba "roncar", porque o próximo da roda tem o direito de um novo mate, sempre com a água quente e jamais fervendo para não queimar e modificar o gosto da erva.
Benefícios do Chimarrão
Análises e estudos sobre a bebida detectaram a presença de propriedades medicinais e nutritivas e muitas vitaminas, como as do complexo B, a vitamina C e a vitamina D, e de sais minerais, como cálcio, manganês e potássio. Combate os radicais livres. Auxilia na digestão e produz efeitos antirreumático, diurético, estimulante e laxante. O consumo da erva-mate está relacionado também ao poder que ela tem de estimular a atividade física e mental, atuando beneficamente sobre os nervos e músculos, combatendo a fadiga, proporcionando a sensação de saciedade, sem provocar efeitos colaterais como insônia e irritabilidade. É considerado um alimento quase completo, pois contém quase todos os nutrientes necessários ao nosso organismo e ainda um ótimo remédio para a pele e reguladora das funções cardíacas e respiratórias, além de exercer importante papel na regeneração celular. Apesar da grande lista de benefícios, há quem precise evitar ou limitar o consumo do chimarrão, que também tem contraindicações. Os especialistas ainda alertam: o chimarrão não hidrata e não substitui a água. Beber em excesso pode causar queda da taxa de glicose. A bebida deve ser evitada por hipertensos e por pessoas que são sensíveis a algum dos componentes da erva-mate. Outro cuidado importante é com relação à temperatura da água, não é recomendado beber a água muito quente que pode provocar lesões na parte interna da boca e da garganta, o que contribui para o aparecimento de tumores no esôfago. A temperatura ideal é de no máximo 70ºC. A alta temperatura da água ainda pode lesionar as papilas gustativas da língua, causando perda parcial do paladar. Apesar de o Rio Grande do Sul liderar os casos de câncer de esôfago no país, os especialistas têm dúvidas se os índices estão diretamente ligados com o consumo da bebida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário