Novas pesquisas sobre a verdadeira história do descobrimento do Brasil, enterram definitivamente a versão ensinada nos livros de histórias nas escolas, de que Pedro Alvares Cabral chegou ao Brasil, por acaso, após ter desviado da sua rota em direção às Índias. Na verdade, o primeiro português a vir às terras brasileiras não foi Cabral, e também o primeiro torrão de solo tupiniquim, a ser avistado pelos portugueses não foi o Monte Pascoal, no sul da Bahia em 22 de abril de 1500. Nas comemorações oficiais pelos 500 anos do descobrimento do Brasil, os últimos trabalhos de pesquisadores, antropólogos e cartógrafos portugueses, espanhóis e franceses, revelam uma história muito mais fascinante e épica sobre a chegada dos colonizadores portugueses ao Novo Mundo. O primeiro português a chegar no Brasil, um ano e meio antes de Cabral, foi o navegador Duarte Pacheco Pereira, considerado um gênio da astronomia, navegação, geografia e homem da mais absoluta confiança do rei de Portugal, D. Manoel I. Após ter recebido as ordens do rei português, Duarte Pacheco partiu com a missão de liderar uma expedição, com objetivo de descobrir terras na "parte ocidental”, onde ficavam as terras descobertas pelos espanhóis nas Américas. Em novembro de 1498, seguiu do arquipélago de Cabo Verde, na costa da África, em direção à linha do Equador. Continuou navegando sem maiores dificuldades, sendo favorecido pela corrente marítima das Guianas, percorrendo viagem pelo litoral brasileiro, entre a Ilha do Marajó e a foz do rio Amazonas. O descobrimento do Brasil, ocorreu no contexto de uma intensa rivalidade e competição entre Portugal e Espanha, desde, o final do século XV.
Na luta pela hegemonia para ver quem primeiro, descobriria o caminho das ricas especiarias das Índias, cobriu-se de glória ao derrotar em sucessivas batalhas, milhares de inimigos comandados pelo rei da cidade indiana de Calecut. Quando regressou a Portugal, Duarte Pacheco ganhou uma recepção triunfal celebrando suas vitórias militares e o rei ordenou-lhe, que a expedição deveria ser mantida em sigilo. O motivo para que a descoberta fosse tratada em segredo de Estado, era bastante simples: as terras encontravam-se em área espanhola, de acordo com a divisão estabelecida pelo famoso Tratado de Tordesilhas. A base da tese gira em torno de um manuscrito, o "Esmeraldo de situ orbis", produzido pelo próprio Duarte Pacheco entre 1505 e 1508, e que ficou desaparecido por quase quatro séculos. Era um imenso relato das viagens de Duarte Pacheco, que sustenta ser o verdadeiro responsável pelo descobrimento não só do Brasil, como à costa da África, principal fonte da riqueza comercial de Portugal no século XV. O rei D. Manoel I considerou tão valiosas as informações náuticas, geográficas e econômicas do "Esmeraldo" que jamais permitiu que ele fosse tornado público. Foi montado em cinco partes, com 200 páginas no total. O documento era a melhor prova, sobre o descobrimento do Brasil, e tão precioso que uma cópia foi contrabandeada em 1573 para a Espanha por um espião italiano, Giovanni Gesio, que o rei Filipe II mantinha a seu serviço na embaixada espanhola em Lisboa. Depois da subida ao trono português de D. João III, Duarte Pacheco, por ser integrante de um grupo político muito próximo a D. Manoel, caiu em desgraça.
Foi preso sob a acusação, aparentemente caluniosa, de contrabando de ouro na África e ficou meses encarcerado em Lisboa. Mais tarde, foi reabilitado, mas morreu em 1533 na pobreza e totalmente afastado das decisões políticas. Entre os historiadores, Pedro Alvares Cabral não entendia quase nada de navegação, mas era oriundo da média nobreza, teve a sorte de casar com uma das herdeiras de uma das famílias mais ricas do reino. Foi assim que conseguiu ser escalado para comandar a maior armada que Portugal, já montara para uma missão secreta: explorar as terras desconhecidas no lado português da linha divisória estabelecida pelo Tratado. Pela quantidade de homens e naus, a expedição de Cabral é mais uma prova de que os portugueses vinham para tomar posse do Brasil e usá-lo como base de apoio da rota para as Índias. Com cerca de 1,5 mil homens e 13 embarcações (nove naus, três caravelas e uma naveta de mantimentos). Os portugueses acreditavam que o Brasil se encontrava mais próximo do Sul da África do que realmente está. Após a viagem de Cabral, perceberam o erro e só partiram para a ocupação do Brasil 30 anos depois. É quase consensual que Cabral partiu de Portugal com instruções secretas do rei D. Manoel para chegar às terras já descobertas por Duarte Pacheco. No Brasil, Cabral ficou apenas uma semana e seguiu direto para Índia. Na volta a Lisboa, entrou em atrito com o rei e não voltou mais a comandar expedições marítimas. O que teria sido o grande feito da sua vida, o descobrimento do Brasil, só foi divulgado um ano depois que a carta de Caminha chegou a Portugal. Isso demonstra a pouca importância que os portugueses, deram à expedição de Cabral.
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