Localizado na rua Jandaia, próximo da avenida
23 de Maio, na região central da cidade de São Paulo estão os Arcos do Bixiga,
ou Arcos do Jânio, ou Arcos da rua Jandaia, ou ainda Arcos dos Calabreses. A construção
do muro, foi importante após fortes chuvas atingirem a cidade em 1873, provocando
grandes deslizamentos de terra entre as ruas Jandaia e Assembleia (na
época chamada de Travessa Santa Cruz). Para solucionar o problema, a prefeitura
decidiu contratar trabalhadores imigrantes italianos, que viviam na região do
Bixiga e utilizavam técnicas de construção, que dominavam na Itália e os
tijolos da obra foram fabricados, por artesãos vindos da região da Calábria. A estrutura
arquitetônica de cerca de 220m, que compõem um extenso muro desenhado por 21
módulos, com arcos separados por pilastras e que chega a 11 metros em seu ponto
mais alto. Estima-se, que o muro foi construído entre 1908 e 1914, mas alguns
historiadores garantem, que sua construção foi realizada no fim do século XIX. Aos
poucos casarões e sobrados, foram erguidos em toda extensão do muro, fazendo o desaparecimento
dos arcos. Somente em 1965 e 1967, a região volta a chamar a atenção, através
de um novo projeto elaborado pelo Departamento do Urbanismo da Prefeitura,
enviado à Câmara Municipal pelo prefeito José Vicente de Faria Lima
(1965-1969). O projeto propõe uma modificação parcial do plano original de
abertura da avenida 23 de Maio, incluindo a construção de uma alça de ligação
com a futura ligação Leste-Oeste e a formação de uma praça no leito das ruas
Jandaia e Assembleia. Para a construção dessa via de acesso, seria necessário
demolir todas as edificações da Rua Assembleia.
A prefeitura iniciou um processo de desapropriação dessas casas e começou a efetuar o pagamento das indenizações aos moradores, que foram abandonando os imóveis. Como os casarões ficaram vazios, acabaram sendo invadidos por famílias carentes, estimava-se que pelo menos de 120 famílias residiam nos imóveis, transformados em cortiços ao longo da década de 1970. Com o passar das décadas, tem o início de uma longa briga dessas famílias com o poder público. A prefeitura não conseguia desapropriar essas moradias invadidas e muito menos iniciar as obras de interligação viária. A região se degradou muito e essa situação durou anos. Em 1987 a prefeitura conseguiu a reintegração de posse. Jânio Quadros, prefeito de São Paulo na época, entrou com um projeto de reurbanização da área, providenciou a transferência dos moradores e iniciou-se o processo de demolição dos imóveis. Paralelamente ao processo de desocupação, iniciou-se a demolição dos imóveis. A cada casa que desabava, descobria-se parte de um muro de grande beleza arquitetônica. Ao final de todo o processo o que encontraram foi um presente deixado pelos dos imigrantes italianos: arcos esculpidos em um mural repleto de história, que acabou virando patrimônio cultural paulistano. Os Arcos do Bixiga foram restaurados, receberam iluminação especial e jardim. A pracinha, que fica na frente dos arcos, foi batizada de Praça dos Artesãos Calabreses, em homenagem aos trabalhadores que construíram o monumento. Seu valor patrimonial foi atribuído graças à sua função estrutural, expressão plástica e originalidade da construção. O tombamento foi feito em 2002 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) e a descoberta acidental hoje é um dos cartões postais da cidade.
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