Considerada
a segunda maior comunidade de São Paulo (a primeira é Heliópolis) e a quinta do
Brasil. Faz parede com as mansões do Morumbi, retratando os contrastes de
desigualdade entre vizinhos. Paraisópolis tem uma área com 1 milhão de metros
quadrados, mais de 100 mil habitantes no bairro favelizado,
localizado em uma das regiões mais ricas da na zona sul, e pertencente ao
distrito de Vila Andrade. Paraisópolis, surgiu de um loteamento destinado
à construção de residências para a classe alta realizado em
1921, resultado da divisão da antiga Fazenda do Morumbi em 2 200
lotes com quadras regulares de 10m x 50m e ruas de 10 metros de largura. A
partir da década de 1950 iniciou-se a ocupação dos terrenos, na época
não habitados e de caráter semi rural, por famílias de baixa renda, em sua
maioria migrantes nordestinos, atraídos pelo emprego na construção civil.
Devido ao descaso público e a dificuldade da regularização dos
terrenos, em 1970 já residiam irregularmente vinte mil habitantes, e
ao mesmo tempo novos bairros nobres e seus condomínios luxuosos eram
criados ao redor das áreas de ocupação, que eram muitas vezes construídos
utilizando a mão de obra dos próprios moradores de Paraisópolis. Houve uma
tentativa de remoção da área de ocupação, por meio de uma obra rodoviária,
elaborada na gestão de Paulo Maluf, no início da década de 1980.
Devido à construção de uma avenida que visava interligar a Avenida
Giovanni Gronchi à Marginal Pinheiros, haveria a remoção de uma
grande área de habitações de baixa renda, porém a obra foi suspensa, sendo
retomada parcialmente em 2012, tornando-se a Avenida Hebe Camargo.
Para
valorizar a Nova Paraisópolis, foi criado em 2013, pela União dos Moradores e
do Comércio de Paraisópolis (UMCP), um projeto que passa a promover visitas
guiadas na comunidade. A ideia é estimular a visitação em pontos de grande
riqueza cultural na região, apresentando trabalhos artísticos, projetos sociais
e de urbanização desenvolvidos. Pelo roteiro é possível conhecer os principais
pontos de referência e lugares marcantes como a Casa de Pedra do escultor
Estevão, chamado de Gaudí brasileiro, a Casa de Pet do Antenor revestida com
quase 30 mil garrafas plástica, a oficina do mecânico Antônio conhecido como
Berbela que transforma sucatas em objetos de artes, o Ballet Paraisópolis é
regido por Monica Tarragó que já atuou em companhias no Brasil e Itália,
atendendo mais de 300 crianças. O objetivo é lançar um novo olhar sobre a
comunidade. O tour inicia na Sede da União dos Moradores e do Comércio de
Paraisópolis (UMCP). Os visitantes podem conhecer um pouco da história da
comunidade, da fundação da União dos Moradores e os principais projetos
desenvolvidos. O roteiro cultural é pago e realizado sempre no período da
manhã. É guiado por pessoas treinadas da própria comunidade. Em 2015, foi produzida
a novela I Love Paraisópolis, exibida pela Rede Globo. Inspirado na favela de
Paraisópolis, as cenas iniciais foram gravadas na própria comunidade e foi
construída no Projac uma cidade cenográfica da favela com dez mil metros
quadrados (a maior já feita nos cinquenta anos da Globo), onde se desenvolve a
maior parte da trama, reproduzindo com detalhes as vielas do bairro paulistano.
Mas nem todos os moradores, concordaram com as cenas e criticam a novela que,
para eles, não retratam a realidade de quem vive na favela.
Ao contrário de muitas favelas de SP, Paraisópolis não fica na periferia, mas ao lado de áreas nobres. Apesar de ser considerada símbolo da desigualdade social, a comunidade cresceu como potencial econômico e empreendedorismo. Mesmo com a informalidade, existe grandes empresas investindo em Paraisópolis, com a expectativa de aproveitarem as oportunidades para movimentar muito dinheiro. Atualmente, conta com mais de 14 mil pontos de comércio com opções de mercados, restaurantes, padarias, farmácias, açougues, clinicas odontológicas, lojas de roupas, entre outras variedades de consumo na região, desta forma, também gerando emprego para o próprio morador. Paraisópolis é a primeira favela a ter cartão de crédito próprio para ser usado com exclusividade no consumo local. Também é importante ressaltar o núcleo cultural, esportivo e ações dos projetos sociais na favela. Além disso, tem opções de lazer para várias idades e finalidades. O tradicional Baile da Dz7 é uma alternativa, entre os milhares de jovens da região e de outras localidades, que se aglomeram nos finais de semana. Mesmo com a má fama do tráfico de drogas, a comunidade é um atrativo local e atrai até os “playboys” dos condomínios de luxos, que vem para conhecer os pontos de baladas. Mesmo em um cenário de grande adversidade, Paraisópolis deixa uma importante lição, sobre a importância da união e organização entre os moradores, neste processo de transformação, nem tudo tem uma consciência social, ainda falta muito a ser feito pelas políticas públicas para atingir as devidas melhorias, e diminuir os impactos de desigualdade na região do Morumbi.
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